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Considerado por muitos como uma das obras-primas do jazz dos anos 60, o disco Speak No Evil reflete todo o virtuosismo do saxofonista Wayne Shorter, tanto como compositor quanto como instrumentista. A introdução de “Witch Hunt”, faixa que abre o álbum, onde o sax de Shorter se une ao trompete de Freddie Hubbard, parece anunciar ao ouvinte o que está por vir: uma aula de cool jazz. Logo depois desse alerta sonoro, quem dá o tom é o prato de condução do baterista Elvin Jones – um dos gênios de seu instrumento – conduzindo a banda para uma jornada pelos horizontes fantásticos do improviso e da melodia. Some a esse trio o piano de Herbie Hancock e o contrabaixo de Ron Carter e você terá uma espécie de “dream team” do jazz, tocando de forma solta e entrosada ao longo das 6 faixas do disco. Gravado em 1964 no estúdio de Rudy Van Gelder – um dos magos da gravadora Blue Note – situado em Nova Jersey (EUA), Speak No Evil hipnotiza o ouvinte ao criar climas que vão de improvisos frenéticos a calmarias melódicas num piscar de olhos. E o que dizer do entrosamento dessa banda? Cada um dos músicos desenvolve um diálogo raro através de seus instrumentos, como velhos conhecidos numa conversa de bar. A faixa título, “Speak No Evil”, tornou-se um dos grandes clássicos da história do jazz e sintetiza muito bem a elaborada linguagem musical de Wayne Shorter. Um disco fundamental para se compreender os meandros do jazz dos anos 60. Por Luiz Guilherme Moffa |




