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Rising Down é o 10º álbum da carreira (8º de estúdio) do grupo de hip hop nativo da Filadélfia The Roots. Parece ter sido impulsionado pelos “demônios” do momento político dos EUA, marcado por indefinições e muita especulação. Esse contexto “pesado” se reflete sobre a sonoridade do disco através de letras, melodias e batidas ferozes. Porém, não deixa de lado a qualidade que marca a sólida trajetória desse grupo, que é referência mundial em termos de hip hop contemporâneo. O baterista/produtor Ahmir ?uestlove Thompson continua distribuindo suas levadas sólidas, o MC Black Thought dispara suas rimas contundentes como tapas na orelha, enquanto Kamal Gray (teclados), Frank Knuckles (percussão), Kirk “Captain Kirk” Douglas (guitarra) e Owen Biddle (baixo) garantem a liga que desafia os padrões do rap ao apostar num som mais orgânico, com influências do jazz e r&b. O registro ainda traz participações de MCs como Mos Def, Common, Talib Kweli e Dice Raw para engrossar o caldo. Já nas primeiras faixas é possível sentir a aura agressiva que permeia boa parte das composições do álbum. A batida crua e pesada que abre a faixa título anuncia o que está por vir: verborragia recheada de contestação. “Esse é provavelmente o álbum mais político de nossa carreira. Falamos de niilismo, hipocrisia, vícios e da vida urbana na Filadélfia. Eu diria que Rising Down é um disco maduro e intenso, mas não é pessimista como muitas pessoas esperam que ele seja”, esclarece ?uestlove. Musicalmente, a tensão do álbum só é diluída na sétima faixa. “Criminal” tem uma base mais melódica, mas sua letra não alivia no teor ácido. Faixas seguintes como “I Will Not Appologize”, “Singing Man” e “Lost Desire” mantém o nível do álbum. Trazem bases um pouco menos nervosas e preparam o ouvinte para as duas últimas músicas, “Rising Up” e o bônus track “Birthday Girl”. “Rising Up” é musicalmente uma espécie de canção de redenção, cuja base leve, melódica e orgânica se contrapõe aos tons sombrios da maioria das faixas de Rising Down. A música traz a participação de Chrisette Michele, que empresta sua voz macia ao refrão. Já “Birthday Girl” encerra o álbum com uma atmosfera mais pop e festiva. Comprova a versatilidade de um time de músicos capaz de, num mesmo álbum, protestar de forma ácida e incisiva e tocar um hit de FM sem perder as raízes. Por Luiz Guilherme Moffa |

